segunda-feira, 20 de novembro de 2023

DEZ LEIS PARA SER FELIZ - TRECHOS

 


GERENCIAR OS PENSAMENTOS

 

Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável... Gerenciar os pensamentos é capacitar o eu para ser autor da nossa história. É governar a construção de pensamentos que debilita a inteligência e a saúde psíquica. É ser livre para pensar, mas não escravo dos pensamentos. É ser líder de si mesmo. É deixar de ser espectador passivo das ideias negativas. É sair da poltrona, entrar no palco dos pensamentos e dizer: “Eu dirijo o script da minha vida.” Você é senhor ou servo dos seus pensamentos? Raramente encontramos pessoas que sabem gerenciar os pensamentos. Essa lei representa os pilares de uma vida feliz.

 

POR QUE GERENCIAR OS PENSAMENTOS?

A psicologia e a psiquiatria não só deixaram de investigar a atuação do eu como gerente da emoção, mas também como gerente do pensamento. Ficou intocável o principal fenômeno da inteligência. Por isso, sabemos tratar das doenças psíquicas, mas não sabemos produzir um homem feliz. Pelo fato de eu ter desenvolvido uma nova teoria da personalidade à luz da construção das cadeias de pensamentos, nada me preocupa tanto quanto gerenciar essa construção. O mundo das idéias pode se tornar uma fonte de deleite ou de aflição.

 

TRANSTORNO OBSESSIVO

 

Um dos transtornos que mais atormentam o ser humano e que é produzido na infância pela falta de gerenciamento dos pensamentos é a obsessão. Ela é caracterizada por ideias fixas sobre doenças, acidentes, assaltos, higiene. Vejamos um exemplo. Certa vez um paciente de origem árabe, culto e poliglota, me procurou, aflito. Era um dos melhores pilotos de aviação comercial de seu país. Quando voava no Oriente Médio dava assistência a pessoas mutiladas. Mas um dia começou a ter diarreia, febre, então, começou a ter ideia fixa de que tinha AIDS. Quanto mais ele produzia essa ideia, mais ficava ansioso, mais registrava essa ansiedade nos solos da memória, mais produzia matrizes doentias em seu inconsciente e mais gerava milhares de novas ideias sobre a AIDS. Assim fechou o ciclo da obsessão. Dizia-me que antes era um Rambo, agora um homem frágil. Sabia que a AIDS tem um bom tratamento, mas se atormentava com a ideia de morte e de separação das pessoas que amava. Sofria pela AIDS virtual. Você sofre por algo virtual? Alguém dirá: “Esse caso é simples de resolver. Mande-o fazer exames para detectar o vírus da HIV.” Ledo engano! O eu sabe que as ideias são irreais, mas não consegue gerenciá-las e a emoção vive-as como se fossem reais. O eu se torna um joguete da obsessão, vítima desse transtorno. O paciente fez o exame e deu negativo. Ficou tranquilo por uma semana. Depois começou a desconfiar que trocaram seu sangue. Assim, fez inúmeros outros exames. E sempre havia uma desculpa para repeti-lo. Era inteligente, mas algemado. Felizmente aprendeu a ser líder.

A falta de gerenciamento dos pensamentos também pode gerar a SCC, a síndrome compulsiva de comprar, e a SCE, a síndrome compulsiva de economizar. Os portadores da SCC aliviam sua ansiedade comprando. Compram roupas, sapatos, joias, excessivamente. Gastam o que têm e o que não têm. Criam um caos financeiro que devasta sua paz. Os portadores da SCE vivem o lado oposto da moeda. Não gastam nada. O medo do futuro os priva do prazer. São escravos do amanhã. Se você for sedento por uma vida feliz, você terá de equilibrar-se no delicado tripé: ganhar, poupar e gastar.

 

O pensamento pode se tornar um grande vilão da qualidade de vida e da felicidade de três formas:

Pensamento negativo. É impressionante como nossa mente pensa tolices, rumina experiências ruins e remói preocupações. Os pensamentos negativos geram ansiedade e estressam o cérebro. Eles empobrecem ricos, aniquilam cientistas, abatem religiosos, destronam reis. Muitos, ao receberem um “não” ou uma crítica injusta, produzem milhares de pensamentos que os arrasam. Como você lida com as críticas?

Pensamento acelerado. Não só o conteúdo negativo dos pensamentos estressa o ser humano, mas também a velocidade de construção dos pensamentos, mesmo se eles forem positivos. Essa é uma grande descoberta. O excesso de informações e o trabalho intelectual excessivo geram a síndrome SPA (síndrome do pensamento acelerado).A SPA é caracterizada por ansiedade, insatisfação, aversão à rotina, inquietação, fadiga excessiva, esquecimento. Centenas de milhões de pessoas têm SPA Incluindo os melhores executivos, médicos, advogados. Sua mente é agitada?

Sofrimento por antecipação. O pensamento antecipatório é outro grande carrasco de uma vida feliz. Somos uma espécie que se auto-atormenta. Velamos o corpo antes da morte. Sofremos todos os dias por coisas que ainda não aconteceram. Mais de 90% dos monstros que criamos nunca se tornarão reais, mas somos especialistas em criá-los.

Jovens se martirizam pela prova que farão, mães por imaginar que suas crianças usarão drogas, executivos por fantasiar a perda de seus empregos. Não se perturbe pelo amanhã. Já bastam os nossos problemas diários.  Qual o resultado de pensar tanto? Uma fadiga descomunal. A escravidão foi abolida, a carga de trabalho diminuiu, os direitos humanos foram adquiridos. Por todas essas conquistas, somadas ao conforto proporcionado pela tecnologia esperávamos que o homem moderno vivesse um eterno descanso. Mas eis que inúmeras pessoas acordam cansadas, reclamam de fadiga excessiva. Imagine! Uma pessoa muito estressada e com a síndrome SPA pode gastar mais energia do que “dez” trabalhadores braçais. Sábio é o que faz muito, mas sabe poupar energia.

DICAS PARA GERENCIAR OS PENSAMENTOS

1) Vire a mesa dos seus pensamentos, critique cada pensamento negativo nos primeiros cinco segundos que produzi-lo para evitar o registro doentio;

2) Faça microrrelaxamentos para desacelerar o pensamento no trabalho, no trânsito;

3) Pratique o silêncio contemplativo, mude sua agenda e desenvolva a inteligência espiritual para enriquecer os pensamentos.

Mas não se esqueça de que posso lhe dar água, mas não sede. Posso lhe dar as leis e as idéias, mas não a luz. Posso lhe dar a caneta e o papel, mas só você pode escrever a sua história.

 

TRECHOS DA OBRA – DEZ LEIS PARA SER FELIZ

AUTOR: AUGUSTO CURY

 


 

O MUNDO DE SOFIA - TRECHOS

 

O MUNDO VISTO ATRAVÉS DA MITOLOGIA

 

Olá, Sofia! Temos muito sobre o que falar, então vamos continuar logo o curso.

 

Por filosofia queremos dizer uma maneira completamente nova de pensar que surgiu na Grécia aproximadamente em 600 a.C. Antes disso eram as várias religiões que davam às pessoas as respostas para as perguntas que elas faziam. Essas explicações religiosas foram transmitidas de geração em geração através dos mitos. Um mito é uma narrativa que pretende explicar pela visão dos deuses a vida como ela é.

 

Em todo o mundo, ao longo de milênios, uma profusão de mitos floresceu como resposta às questões filosóficas. Os filósofos gregos tentaram mostrar às pessoas que essas respostas não eram confiáveis. Para compreender o pensamento dos primeiros filósofos, nós devemos compreender o que seria uma visão mitológica do mundo. Não é preciso ir tão longe, até a Grécia, para isso. Vamos tomar algumas concepções mitológicas da Escandinávia como exemplo.

Você certamente já ouviu falar de Tor e seu martelo. Antes de o cristianismo chegar à Noruega, os habitantes daqui acreditavam que Tor cruzava os céus numa carruagem puxada por dois bodes.

 

A palavra “trovão” — “torden” em norueguês — quer dizer exatamente “o ruído de Tor”. Em sueco, trovão é “åska”, referindo-se à “jornada dos deuses” pelo céu. Quando troveja e relampeja, geralmente também chove, um fenômeno vital para os camponeses da era dos vikings. Por isso Tor passou a ser adorado como deus da fertilidade. A resposta mitológica para a origem da chuva era o agitamento do martelo de Tor. Quando chovia, as sementes brotavam e a plantação crescia na lavoura.

 

Era um mistério porque as plantas cresciam nos campos e davam frutos. Mas tinha a ver com a chuva, disso os camponeses estavam certos. Portanto, todos acreditavam que tinha a ver com Tor. Isso fez dele um dos deuses mais importantes da Europa Setentrional. Tor era importante também por outro motivo, que tinha a ver com a harmonia do mundo. Os vikings imaginavam habitar um mundo que era uma ilha constantemente ameaçada por perigos externos. À parte habitada desse mundo eles chamavam Midgard, que significa algo como “reino do meio”. Em Midgard também ficava Åsgard, a morada dos deuses. Além das fronteiras de Midgard ficava Utgard, isto é, o “reino de fora”, onde viviam os perigosos trolls, sempre tentando destruir o mundo com seus truques sujos. Costumamos nos referir a esses monstros malignos como “forças do caos”. Tanto nas religiões nórdicas antigas como na maioria das outras culturas as pessoas acreditavam num instável embate de forças entre o bem e o mal.

 

Uma maneira de os trolls destruírem Midgard seria raptar Frøya, a deusa da fertilidade. Se conseguissem, nada iria crescer nos campos e as mulheres não poderiam ter filhos. Logo, era fundamental que os deuses os mantivessem sempre sob controle. Aqui também Tor desempenhava um papel importantíssimo. Seu martelo não apenas trazia a chuva, mas era uma arma poderosa na luta contra as perigosas forças do mal. O martelo lhe dava um poder quase infinito. Ele podia, por exemplo, atirá-lo nos trolls e matá-los. Ele nem se preocupava com a possibilidade de perdê-lo, porque o martelo era como um bumerangue, e sempre retornava às suas mãos. Essa era a explicação mitológica para o funcionamento da natureza e para a luta permanente entre o bem e o mal. E era justamente de explicações mitológicas como essa que os filósofos queriam se ver livres. Mas não é apenas de explicações que estamos falando. As pessoas não podiam ficar de braços cruzados esperando os deuses aparecerem quando catástrofes como secas ou doenças contagiosas as ameaçassem. As pessoas precisavam elas mesmas participar na luta contra o mal. Isso acontecia através de uma variedade de cerimônias religiosas, ou rituais.

 

O principal ritual religioso na Antiguidade nórdica era o sacrifício. Fazer um sacrifício para determinado deus aumentaria o poder dele. As pessoas deveriam, por exemplo, fazer sacrifícios para que os deuses fossem fortes o bastante para vencer as forças do mal. Isso era feito imolando-se um animal para determinado deus. Para Tor, acredita-se que era comum se sacrificarem bodes. Para Odin acontecia de serem feitos sacrifícios humanos.

 

O mito mais conhecido na Noruega chegou até nós através do poema Trymskvida. Ele nos conta que Tor se deitou, adormeceu e, ao despertar, viu que seu martelo desaparecera. Tor ficou tão furioso que suas mãos se agitaram e sua barba estremeceu. Junto com seu companheiro Loke ele foi até Frøya e lhe pediu emprestadas as asas para que Loke pudesse voar até Jotunheim, o lar dos trolls, e descobrir se eles é que haviam roubado o martelo de Tor. Lá chegando, Loke encontrou-se com Trym, o rei dos trolls, que se gabava de ter escondido o martelo de Tor oitenta quilômetros debaixo da terra. E disse mais: os deuses só teriam o martelo de volta caso ele se casasse com Frøya. Você está acompanhando, Sofia? Os bons deuses estavam enfrentando uma situação terrível, um drama envolvendo uma chantagem. Os trolls agora tinham em seu poder a arma mais importante dos deuses, uma situação inaceitável. Enquanto estivessem de posse do martelo de Tor, os trolls deteriam todo o poder sobre os deuses e sobre o mundo dos homens. Em troca do martelo eles exigiam Frøya. Mas essa troca seria impossível: se os deuses entregassem a deusa da fertilidade — a protetora de toda forma de vida —, o verde do campo iria perecer e os deuses e os homens também. A situação é um impasse completo. Se você imaginar um grupo terrorista que ameaça explodir uma bomba atômica no meio de Londres ou Paris caso suas exigências não sejam atendidas, vai certamente perceber o que eu quero dizer. O mito nos ensina mais adiante que Loke retorna a Åsgard e pede a Frøya que se vista de noiva, pois ela deverá casar-se com o rei dos trolls (infelizmente, infelizmente!). Frøya fica furiosa e diz que as pessoas vão pensar que ela é ousada demais caso se case logo com um troll.

 

TRECHOS DA OBRA – O MUNDO DE SOFIA

AUTOR: JOSTEIN GAARDER

 


 

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